Quinta-feira, Maio 30
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Beatificada a Serva de Deus, Benigna Cardoso da Silva

Ontem, dia 24 de outubro, a Igreja Católica concedeu o título de Beata à Serva de Deus Benigna Cardoso da Silva. A Santa Missa com o rito da Beatificação aconteceu ao cair da tarde, no Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcante, na cidade do Crato-CE, sob a presidência do Cardeal e Arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, representante do Papa Francisco na ocasião. Além do clero diocesano, sacerdotes, religiosos seminaristas e leigos de outras dioceses também se fizeram presentes à celebração, da qual participaram 40 bispos de demais regiões do país. Estima-se que cerca de 30 mil pessoas tenham presenciado o ato que tornou a menina Benigna a primeira Beata nascida no estado do Ceará. Este é o passo anterior à canonização.

CONHEÇA A HISTÓRIA DA BEATA BENIGNA CARDOSO

Benigna nasceu aos 15 dias de outubro de 1928, no Sítio Oiti, em Santana do Cariri, no interior cearense. Apesar dos poucos anos vividos, a vida da jovem inspirou uma grande obediência aos ensinamentos da fé cristã, passando a ser venerada como mártir na região do Cariri, pois preferiu entregar sua vida a violar sua honra. Na fatídica tarde de 24 de outubro de 1941, há exatos 81 anos, Benigna fora cortejada pelo jovem Raul Alves no local onde ela costumava buscar água com frequência. O rapaz queria forçá-la a ter relações sexuais com ele, ao que Benigna negou. Essa atitude o enfureceu, motivando-o a atacar a jovem a golpes de facão até que um, fatal, ceifou a vida da menina, com apenas 13 anos de idade, lutando bravamente até à morte para defender a pureza do seu corpo.

Por isso, invocada sob o título de Heroína da Castidade, Benigna Cardoso teve o processo de Beatificação aprovado pelo Papa Francisco ainda em 2019. O anúncio fez dobrar os sinos da Diocese de Crato por ser elevada aos altares a menina que conquistou um espaço nos oratórios e no coração do povo caririense, que a cada dia 24 do mês move romarias ao local onde Benigna foi martirizada, como é o caso da senhora Francisca Soares. Seu filho, com apenas um ano de idade, foi internado às pressas com um quadro evoluído de asma. Levado à Unidade de Terapia Intensiva – UTI, foi desenganado pelos médicos, porém, não pela fé na santa menina. No momento em que o bebê estava internado, correu à Santana do Cariri pedir à menina Benigna que não deixasse o seu filho morrer. Hoje, saudável, com 23 anos, o rapaz tem dois filhos, e dona Francisca atribui à Benigna a graça alcançada.

Agradecida, une-se aos inúmeros outros devotos para participar do sentimento de alegria para a Igreja não só no Ceará, mas que se espalha Brasil afora mediante o testemunho de santidade de Benigna Cardoso.

HOMILIA

Saudando a todos os presentes, Dom Leonardo iniciou sua homilia recordando o testemunho de vida inspirado pela já Beata Benigna Cardoso, destacando a sua virtude do serviço ao próximo. “Benigna foi a fonte em busca de água. Conhecia o caminho para matar a sede, servir o de casa, regar as plantas”, disse. Fazendo uma ligação entre a vida de Benigna e o Evangelho proclamado na Missa, retirado do livro de João (4,5-15), que narra a passagem da samaritana que vai ao poço em busca de água, o cardeal colocou que o lugar da morte da menina foi, também, onde ela encontrou a Jesus, que oferece a verdadeira água que jorra vida para a eternidade. “A mulher vai ao poço em busca de água e encontra Jesus, a fonte que jorra a água da vida eterna”, continuou. “Não era só o poço. Era Jesus, a sua fonte. Foi para a fonte Jesus que Benigna voltou sempre. Dessa fonte, recebeu forças para perseverar, resistir e permanecer fiel aos desejos que Jesus suscitava em seu coração”, afirmou.

Dom Leonardo também faz mênção ao arrependimento do jovem que assassinou Benigna, tendo ele, tempos depois, reconhecido a sua culpa e até pedido a intercessão de Benigna, sendo atendido. “Ao fazermos memória do martírio, vemos o arrependimento do homem que à levou à morte. A pureza conduz o jovem ao arrependimento e a reconciliação. Admirável que, como intercessora, ela o tem atendido. Não há vingança, indiferença e rejeição”, pontuou.

“Hoje louvamos a Deus pelo testemunho daquela que, bem-nascida, alcança a santidade. O amor permanece vivo na morte, por isso estamos celebrando a morte e a vida de Benigna. O amor é forte como a morte e faz da vida o caminho de santidade. Como bem-aventurada, é para nós fonte de vida, amor e fidelidade a Jesus”, finalizou.

TEMOS UMA BEATA NO CÉU, VESTIDA DE CHITA

“Que belo testemunho e poético para a nossa realidade de nordestinos: contemplarmos a nossa santinha, como carinhosamente a conhecemos, com seu vestido vermelho com bolinhas brancas, sinal do martírio e da pureza. Benigna sobe aos altares vestida de chita! Chita é o nosso vestido, faz parte da nossa história. Temos uma Beata no céu vestida de chita, na simplicidade de uma menina, pois Deus escolhe os fracos para confundir os fortes”, exclamou o Bispo Diocesano, Dom Magnus Henrique, em seu terno pronunciamento sobre a Beata Benigna Cardoso. Em sua fala, o Dom Magnus agradeceu ao trabalho de todo o clero, bispos, sacerdotes, leigos e equipes de serviço envolvidas no processo de beatificação, desde a fase inicial até o dia de ontem.

RITO DE BEATIFICAÇÃO

O rito de beatificação consiste em algumas partes específicas, logo após os ritos iniciais da Missa. O Bispo Diocesano pede ao representante do Sumo Pontífice a inscrição do nome da então Serva no livro dos Bem-Aventurados da Santa Igreja. O postulador da causa procede com a leitura de alguns dados biográficos da venerável. Em sinal de acolhida do pronunciamento do Papa, seu representante faz a leitura da Carta Apostólica com a qual o Sumo Pontífice inscreveu no livro dos Bem-aventurados a venerável Benigna Cardoso.  Em seguida, faz-se apresentação da imagem, que até então estava velada, e acolhe-se a relíquia de primeiro grau, tendo esta sido conduzia pelas irmãs de criação de Benigna Cardoso. Finalizando, o bispo diocesano, em seu nome, em nome da Diocese de Crato e da Postulação da Causa de Beatificação, agradece o dom da Beatificação da Serva de Deus. Entoa-se o hino de louvor e a celebração procede como de costume. Para esta ocasião solene, um coro foi formado por 116 cantores de diversas paróquias da região diocesana. Autoridades do poder público estadual e dos municípios da região.

Texto: Fabricio Furtado com colaboração de Ingrid Monteiro

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